Audiência da cidadania italiana: Mellone e Celotto apresentam argumentos centrais na Corte Constitucional

A audiência da cidadania italiana realizada na Corte Constitucional da Itália trouxe argumentos importantes que podem influenciar os próximos desdobramentos da Lei 74/2025 e do chamado Decreto Tajani.

Entre as manifestações que mais chamaram atenção estiveram as sustentações dos juristas Marco Mellone e Alfonso Celotto, dois dos principais nomes envolvidos nos debates atuais sobre cidadania italiana por descendência.

Marco Mellone questiona julgamento e anuncia recurso ao Tribunal Europeu

Durante sua sustentação oral, Marco Mellone afirmou que a própria Sentença 63/2026 já teria enfrentado parte das questões discutidas na audiência atual.

Segundo o advogado, ele se encontra na posição incomum de tentar convencer os magistrados a revisarem um entendimento adotado há poucas semanas.

Além disso, Mellone informou que já apresentou recurso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH).

O fundamento do recurso envolve a alegação de violação do direito a um processo justo, garantido pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

O advogado também criticou a divulgação de posicionamentos por meio de comunicados de imprensa antes da publicação oficial das decisões judiciais.

Críticas à retroatividade da legislação

Outro ponto central da manifestação de Mellone foi a crítica à aplicação retroativa da legislação.

Segundo ele, a nova norma passou a exigir condições que não dependem da vontade do indivíduo, como o local de nascimento ou a nacionalidade de pais e avós.

Para a defesa, essas exigências criam obstáculos impossíveis de serem cumpridos por pessoas que já possuíam expectativas legítimas relacionadas ao reconhecimento da cidadania italiana.

Além disso, Mellone voltou a defender que a cidadania italiana por descendência constitui um direito originário, existente desde o nascimento, e não apenas após um reconhecimento administrativo formal.

Alfonso Celotto concentra defesa no caso de um menor

Outro momento de destaque da audiência ocorreu durante a sustentação de Alfonso Celotto, professor de Direito Constitucional da Universidade Roma Tre.

Embora sua intervenção tenha sido breve, o jurista concentrou sua argumentação em um caso específico envolvendo uma criança.

Segundo Celotto, a nova legislação produziu uma situação em que um menor nascido italiano teria perdido a cidadania sem nunca ter tido a possibilidade de exercer qualquer escolha sobre sua condição jurídica.

Cidadania como direito fundamental

Durante sua manifestação, Celotto sustentou que a cidadania deve ser tratada como um direito fundamental.

Além disso, o constitucionalista afirmou que transformar esse direito em um simples interesse administrativo enfraquece garantias historicamente reconhecidas pelo ordenamento jurídico italiano.

O jurista também citou o artigo 22 da Constituição Italiana, dispositivo que protege cidadãos contra a perda arbitrária da cidadania.

Segundo sua interpretação, o caso dos menores merece atenção especial justamente porque envolve pessoas que não tiveram qualquer participação nas circunstâncias analisadas pela legislação.

O que acontece agora?

A audiência da cidadania italiana continua sem uma decisão imediata.

Após ouvir os argumentos apresentados pelas partes, os magistrados iniciarão a fase de deliberação interna.

Ainda não existe prazo oficial para a divulgação da decisão da Corte Constitucional.

Enquanto isso, especialistas, juristas e descendentes italianos continuam acompanhando atentamente os próximos desdobramentos do julgamento.

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